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Foto ilustrativa

No Centro, um espaço une memória, leitura e economia circular

No vaivém apressado entre as calçadas do Centro das Artes, da Escola Conde do Parnaíba e Praça do Fórum, no Centro de Jundiaí, existe um lugar que caminha na contramão do tempo e convida a desacelerar.

Ao atravessar a porta, o visitante encontra estantes onde livros novos dividem espaço com exemplares já folheados por outras mãos. DVDs, CDs, discos de vinil e aparelhos eletrônicos antigos completam o cenário, compondo um mosaico de memórias. O espaço é o Sebo Estação Cultural Jundiaí, tema de mais um episódio da série “Descobrindo o Centro”, da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí.

Em uma época em que quase tudo parece descartável, o sebo comercializa mais do que produtos: preserva histórias, incentiva a leitura acessível e fortalece a economia circular. “O maior propósito da nossa loja, e de todo sebo, de maneira geral, é promover a leitura acessível, porque livro no Brasil é caro”, explica o sócio proprietário, Júlio Rosa. “O leitor ter a opção de comprar um livro usado pela metade do preço é algo muito interessante.”

Nascido em uma família de empreendedores — que hoje mantém oito lojas espalhadas pelo Estado de São Paulo — Júlio teve o primeiro contato com o universo dos sebos aos 16 anos, quando trabalhou na loja de um primo, em São José do Rio Preto. Desde então, o desejo de empreender ganhou forma.

Mais tarde, cursou Administração de Empresas com foco em Empreendedorismo, decidido a transformar o sonho em projeto.  “Eu queria empreender, mas eu e minha esposa não sabíamos exatamente com o quê. Então pensamos: por que não um sebo? A partir daí começamos a buscar uma cidade.”

A escolha da cidade seria baseada em alguns critérios. O município precisaria ter mais de 400 mil habitantes e um bom Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Também não poderia ser uma cidade que já tivesse uma unidade da rede Estação Cultural, para evitar concorrência interna. Entre as possibilidades estavam Santos e Jundiaí. “Como Jundiaí era mais próxima, resolvemos visitar. Quando chegamos e conhecemos o Centro, nos apaixonamos de imediato.”

Inaugurado há seis anos, o sebo ocupa dois andares e reúne títulos de diferentes segmentos. Muitos livros já passaram por diversos leitores e carregam marcas do tempo: dedicatórias, anotações e páginas amareladas. Alguns guardam segredos que ultrapassam a narrativa impressa. Júlio lembra de um exemplar em especial. Ao folheá-lo, encontrou textos escritos por duas mulheres que se correspondiam durante o período da ditadura militar.  “Uma delas servia à Aeronáutica e parecia ser monitorada, então não podiam conversar livremente”, conta. “Em páginas específicas do livro havia textos que pareciam cartas, de uma para a outra. Percebemos que era uma rotina de se corresponder por meio dos livros.”

Para quem quiser descobrir esse cantinho do Centro, o endereço é rua Barão de Jundiaí, 1.127.

Esse e outros episódios do projeto “Descobrindo o Centro”, da ACE Jundiaí, podem ser encontrados no canal da ACE (e em outras mídias) no Youtube, pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=VL0Hu13iriM